{Resenha} Onde Cantam os Pássaros

Se você cometesse um erro tão grande no passado que alterasse completamente o rumo da sua vida, como isso influenciaria e informaria as suas escolhas e o modo com o qual você interage com outros seres humanos?

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No primeiro capítulo de “Onde Cantam os Pássaros,” de Evie Wyld, nos deparamos com Jake Whyte — uma Australiana jovem porém reclusa, que escolheu viver em uma velha fazenda em uma ilha na costa da Grã-Bretanha cujo nome não é citado, em companhia de “Cão,” o seu cachorro de estimação, se depara com os restos mortais de uma de suas ovelhas, que morrera durante a noite de forma extremamente violenta. Logo em seguida, ela recebe a visita do vizinho e antigo dono da fazenda onde vive, Don, que aparece para averiguar o ocorrido. Durante a visita, Don tece comentários que ajudam a perceber que há algo no passado dessa mulher alta e forte, com uma história de vida tumultuosa e costas cheias de cicatrizes que, de algum modo, informa o presente dela: o desleixo na sua aparência, o desinteresse nas coisas que podem lhe dar prazer, a relutância em criar qualquer tipo de vínculo com outros moradores da região e a insistência em permanecer somente na companhia de seus animais.

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Como se não bastasse a ameaça que paira sobre a vida do rebanho de suas ovelhas (que Jake acredita ser causada por jovens adolescentes), o suspense psicológico se faz presente através de outros fenômenos que começam a ocorrer: barulhos estranhos dentro e nos arredores da casa de Jake, a sensação de estar sendo observada, além de rumores sobre uma criatura grande e veloz que não parece ser do mesmo porte que os animais encontrados nas redondezas.

Uma certa noite, Jake se depara com um homem bêbado dentro de seu galpão à procura de um lugar pra dormir. Ela consente que ele fique ali temporariamente, mas após diversas circunstâncias, a presença de Lloyd se torna permanente e junto com ele, vamos nos aprofundando pouco a pouco no universo misterioso de Jake Whyte.

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Considerações

Enquanto a história narrada nos capítulos ímpares, situada no presente, progride cronologicamente, seguindo o acontecimento da morte das ovelha, a narração dos capítulos pares se dá em forma de flashback, retrocedendo na vida de Jake capítulo por capítulo, pontuando acontecimentos do seu passado até chegar ao início da adolescência da personagem.

Essa é uma combinação que eu ainda não tinha visto em qualquer outro livro e que torna as coisas mais interessantes, mas vale ressaltar que esses saltos na narrativa não são explicitamente especificados no início de cada capítulo, o que pode causar um pouco de confusão durante a leitura.

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Confesso que tive alguns problemas com a prosa do livro e demorei mais tempo que o normal pra conseguir terminá-lo. Outra ponto é a caracterização de Jake: é preciso fazer uma longa jornada até que os acontecimentos do passado dela comecem a justificar de forma mais clara a pessoa que conhecemos no presente, o que pode causar a impressão de que a personagem seja rasa quando a verdade é exatamente o oposto, e a responsabilidade de chegar ao fundo da questão acaba sendo do leitor. Eu consegui encontrar momentos interessantes o suficiente pra me levar até o final, que compensaram pelas horas que tive vontade de fechar o livro e não ler mais, mas entendo quem queira desistir no meio do caminho.

Alguns mistérios da história estão mergulhados em ambiguidade, incluindo o final e isso pode ou não ser um fato negativo, dependendo do ponto de vista de quem lê. No meu caso, deu vontade de ler o livro novamente pra ver com qual perspectiva eu enxergaria os acontecimentos, então pra mim isso é um ponto positivo.

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Sobre a edição do livro

Tenho um segredo pra contar: nutro o péssimo hábito de julgar livros pelas capas. Sim, é verdade, eu faço isso. Poucas coisas enchem tanto os meus olhos como uma edição linda de um livro, com diagramação bonita e uma capa digna. Livros publicados em edições com capas ~mais ou menos~ ou duvidosas, eu normalmente deixo pra ler no Kindle.

Eu não havia ouvido falar do livro e não tinha lido resenhas sobre ele, mas quando bati o meu olho nessa edição, que é a primeira de Onde Cantam os Pássaros, publicada pela DarkSide Books, senti como se tivesse ouvido um coral de anjos cantando. Eita coisa linda!

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A capa parece uma colagem com imagens sobrepostas ao fundo rosa choque e o material que envolve a capa dura parece um pouquinho com camurça, pois é bem macio. A borda das folhas são pintadas de preto, o que cria a ilusão de que as próprias páginas sejam pretas. A diagramação e acabamento por dentro também não deixam a desejar.

Fico feliz ao perceber o cuidado e esmero que algumas editoras brasileiras como a Darkside têm ao criar edições dignas de colecionadores, deixando as edições gringas no chinelo.

Ficha Técnica

Título Original: All the Birds, Singing | Autor (a): Evie Wyld | Tradução: Leandro Durazzo | Editora: Darkside Books | Edição: 2015 | Número de Páginas: 240

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Classificação: 03/05

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