Idolo-gia, eu quero uma pra viver?

Quem nunca teve um ídolo, que atire a primeira pedra, não é?

Minha listinha de obsessões e semi-obsessões foi criada durante a minha pré-adolescência, e até hoje, aos vinte e dois anos, continuo tentando entender a origem e a razão de ser – porque ela ainda existe, e (embaraçosamente) não para de crescer.

Meus ídolos sempre foram “escolhidos” primariamente baseados em atributos – físicos, morais, ou de cunho profissional – que eu gostaria de ter, por isso imaginei que os meus ídolos não passassem de projeções.

Já quis, por exemplo, ter a voz, a elegância, a graça e o nariz da Julie Andrews; já primei pela sagacidade da Madonna; e invejei o talento e a inteligência da Meryl Streep. Também fui fã da Courteney Cox por quase dez anos, embora eu já não saiba mais dizer o porquê.

Mas atualmente sou fã de alguém que, dizem por aí, parece comigo fisicamente – embora eu consiga facilmente usar adjetivos como linda e adorável para descrevê-la, mas não utilizar os mesmos para me autodescrever – e que aparenta ter o humor e a personalidade parecida com a minha.

E a única coisa que isso me diz é que eu deixei de procurar em outras pessoas aquilo que não é realmente inerente a minha natureza, e passei a procurar referências que possam me ajudar a aceitar, através das nossas supostas semelhanças, aquilo que eu realmente sou ou posso ser.

Claro que existem fatores secundários nesse processo de idolo-gia, já que nem só de projeções vive o ser humano. Mas, por mais que eu ainda queira o nariz da Julie Andrews, a atitude badass primordial de ser da Madonna, a camaleozisse (oi, essa palavra existe?) e astúcia da Meryl, e admita para os quatro cantos do Universo que eu adoraria ser a melhor amiga da Ginnifer Goodwin, o que eu quero mesmo – graças a essa descoberta consideravelmente recente, fruto de divagações das quatro horas da manhã de uma madrugada chuvosa – é que quero e preciso ser mais fã de mim mesma.

Tenho certeza que Julie, Madonna, Meryl e Ginnifer concordariam comigo e desceriam dos seus respectivos altares, se renderiam ao título de semi-deusas, e estenderiam as mãos para me ajudar a subir alguns degraus no pódio da auto-estima.

Se for para ter mais ídolos, que seja desse modo. Se nossos ídolos não servem para isso, servirão para quê, anyway?

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s