Brincando com o invisível

O mês de Outubro está chegando ao fim, e isso só pode significar duas coisas:

#1. Hora de “comemorar” o Halloween; Ou Hora de nos preparmos psicologicamente para o fatídico dia do Arrebatamento, em 2012.  #2. “Hora de tirar a poeira dos enfeites Natalinos, pois as comemorações estão se aproximando.” 

No caso da primeira opção, prefiro não entrar no mérito histórico (é pra isso que o Senhor Google e a Dona Wikipédia existem), mas o Halloween, chamado vulgarmente de “Dia das Bruxas”, é uma dessas datas anglo-saxônicas que supostamente o povo brasileiro não toma participação em qualquer tipo de gênero, número ou grau, porque as nossas raízes demasiadamente cristãs contraindicam – pra isso, nós “comemoramos” o Dia de São Nunca (ou Dia de todos os Santos) e o Dia de Finados (O dia dos Mortos); Mas as festas temáticas espalhadas nas cidades a fora dizem o contrário. Durante essa breve temporada, dá-se partida às maratonas de filmes de Terror pelas programações de TV aberta ou paga, desenterrando clássicos apavorantes e/ou montagens trashs que não assustam nem mesmo as moscas.

Desde a época em que Hollywood se chama Hollywood, a temática tem sido amplamente explorada, e em tempos de culto a Atividades Paranormais, é inevitável não falar à respeito. Pessoalmente, eu procuro me abster das produções sanguinárias do gênero de Jogos Mortais – me recuso a gastar os meus bons trocados pra assistir gente louca transformando seres humanos em picadinho; quanto aos filmes de zumbi, estes são motivo de tédio profundo, e filmes de vampiro… bem, a referência atual parte da Saga Crepúsculo. Preciso mesmo entrar em detalhes e falar a respeito? Prosseguindo! Contudo, se há algo que consegue penetrar na minha imaginação e me faz perder o sono por dias (fato!), é assistir filmes que brincam com o invisível.

Portanto, eis uma seleção de duas histórias que já arrepiaram os pêlos dos meus braços e atazanaram essa mente medrosa e fértil que vos fala; e outra, que apesar das falhas técnicas, garante alguns sustos de tirar o fôlego:

Os Outros (The Others)

Nicole Kidman dá vida à católica Grace em "Os Outros"

Nicole Kidman dá vida à católica Grace em “Os Outros”

O filme, que foi escrito e dirigido por Alejandro Amenábar, está centrado na história de uma família cujo patriarca foi morto na Segunda Guerra Mundial. Grace e seus filhos vivem em uma mansão extremamente reclusa do ritmo das cidades, e os empregados que trabalham no local são obrigados a cumprir regras restritas quanto ao funcionamento da casa, pois as duas crianças são alérgicas ao Sol.

Este se torna o pretexto ideal para que o diretor explore o uso da luz e das sombras, submergindo a trama em cenários macabros. E apesar de utilizar o velho “truque” da casa mal-assombrada, Amenábar o faz com tremenda eficácia – ou pelo menos com eficácia suficiente para causar arrepios em seus espectadores. Quem já assistiu Os Inocentes (The Innocents, 1961), estrelado por Deborak Kerr, além de passar pelos mesmos sentimentos de medo, pavor, e pânico, perceberá a sua influência na montagem de Os Outros. Aliás, Os Inocentes está na minha lista mental como um dos melhores filmes clássicos do seu gênero.
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O Sexto Sentido (The Sixth Sense)

Cole Sear é vivido por Haley Joel Osment, em o arrebatador O Sexto Sentido.

Cole Sear é vivido por Haley Joel Osment, em o arrebatador O Sexto Sentido.

Cole Sear é um menino com nove anos de idade, que está sendo tratado por Dr. Crowe, por ser extremamente retraído. Assistimos o menino admitir ver pessoas mortas e as consequências que este “dom” lhe causa. Paralelamente, Dr. Crowe reluta contra a possibilidade de sua esposa se entregar a um novo romance.

O Sexto Sentido é singular por não ser uma máquina de susto. Fala sobre o invisível, mas respeita os limites – se é que existem limites dentro do gênero.
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O Jogo dos Espíritos (Long Time Dead)

Fórmula do vídeo caseiro é utilizada em O Jogo dos Espíritos

Fórmula do vídeo caseiro é utilizada em O Jogo dos Espíritos

Um grupo de estudantes embriagados se reune em um velho armazém, encontra o famoso tabuleiro Ouija e decide brincar com o invisível, literalmente. Ao fazê-lo, despertam a ira de um espírito maligno que estava à espreita, esperando a oportunidade certa para agir, o que resulta em um festival de sustos, sangue e morte.

Neste caso, a grande atração do filme é a utilização do tabuleiro Ouija como ferramenta de comunicação/evocação dos mortos. Para quem desconhece, os primeiros indícios de “jogos sobrenaturais” datam o século XIX, por meados de 1850, através do fenômeno das mesas giratórias, que deram partida aos estudos de Allan Kardec à respeito do fenômeno, e que culminou na Doutrina Espírita. A partir dai, surgiram métodos alternativos como o próprio tabuleiro, além das brincadeiras home-mades, utilizando copos, canetas, moedas, e acreditem, até a Bíblia.
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Por isso, amigos, na dúvida, escolha brincar de Trick or Treat ao invés de brincar com o invísivel: o que não mata, engorda!

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2 thoughts on “Brincando com o invisível

  1. Danielle diz:

    Ahhh, adorei, Lorena! Que leveza! Me diverti com seu texto, e ao mesmo tempo fiquei com frio na espinha ao lembrar do que sofri ao ver esses dois primeiros filmes. Vi “O sexto sentido” no cinema. Quer dizer, fiquei com os olhos fechados na maior parte do tempo, mas mesmo assim, não consegui dormir por uma semana… Quando a “Os outros”, é um dos filmes que mais me surpreendeu. Ainda não conhecia “Os inocentes” – aliás, agora apenas o conheço de nome; fui completamente envolvida pela história e, no final, fiquei tão surpresa quanto a personagem de Nicole quando lhe foi revelada a verdade.

    Fico feliz que tenha voltado pra web. Não deixe que firulas alheias te façam perder o sono – as insônias causadas pelos filmes são muito mais divertidas!

    Bjs
    Dani

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    • Lorena F. Pimentel diz:

      Obrigada pelo contínuo incentivo, Dani. Ele certamente fez toda a diferença.

      A estória de O Sexto Sentido é peculiar, pois o medo é, por si só, praticamente uma consequência da temática, mas como eu disse, o objetivo do filme não é se transformar em uma máquina de susto. Acredito que desse modo seja mais fácil levar um filme desse gênero a sério, pavorzinho a parte.

      Os Outros também foi uma surpresa, e achei que grande parte se deve a atuação da Nicole Kidman. Lembro das noites de insônia depois que o assisti. Agora, caso você esteja disposta, confira Os Inocentes. Achei muito bom!

      E ainda no assunto de insônias cinematográfeis, menina, cai na bobeira de assistir Atividade Paranormal 3 na sexta-feira à noite acompanhada de três amigos, e olha, a máquina de sustos funcionou bem. Eu passei dois dias apavorada dentro de casa, não ia nem ao banheiro sozinha, hahahaha!

      Enfim, obrigada mais uma vez, Dani! Por tudo!

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