Sim, eu fiz a bariátrica

Acabou o mistério — se é que tinha um.

Tentei manter isso só entre amigos e familiares e não sai divulgando isso pelos sete cantos do universo por motivos de: medo, medo e medo.

Por que o medo?

Eram muitos, mas vou tentar listar alguns: porque poucas pessoas conhecem a minha história com a balança — um daqueles relacionamentos abusivos e nada amorosos que a gente sustenta por anos até parar de passar perto de uma porque dessa forma você não precisa encarar a cruel realidade; porque tem muita gente por ai achando que bariátrica é o caminho fácil, é a solução do gordo preguiçoso que não é esforçado/não tem força de vontade o suficiente pra conseguir emagrecer e permanecer magro por conta própria; porque a maioria não entende a realidade do gordo, em menor ou maior escala, não entende o que é a gordofobia e forma como isso os afeta; porque às vezes, se o gordo decide não ser mais gordo, é como se ele estivesse traindo o movimento e a luta contra a ditadura da magreza e estivesse cedendo ao universo fit que às vezes parece lavagem cerebral; porque eu tinha medo de admitir que eu mesma tinha certo preconceito com relação a cirurgia.

E como eu poderia fazer as pessoas entenderem os meus porquês se eu mesma tinha me permitido ser influenciada por algumas dessas opiniões externas? Foi preciso me desconstruir.

coisas que eu escutei bastante nos últimos meses antes de eu me operar: “ah, mas você nem é tão gorda.” “você não é gorda, você é linda.” “tá linda, mas se perder uns quilinhos vai ficar maravilhosa.

Pra começo de conversa, eu nem achava que estava tão gorda assim. Achava que o médico iria me mandar dar meia volta e procurar um endócrinologista pra me ajudar, porque eu não me enquadrava nos requisitos pra fazer uma cirurgia bariátrica, e eu ainda tinha a audácia e petulância de falar pra minha mãe que eu não iria engordar propositalmente pra isso porque eu não era nem doida. Mas a verdade é que eu nem precisava.

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Minha primeira ida ao Instituto Victor Dib foi no dia 03 de Maio. Quando passei pela triagem, onde me pesaram e viram minha altura (1,59m), a balança apontou 90,5kg e assim que eu vi aquele número, eu senti uma vontadezinha de morrer.

Na minha cabecinha, eu continuava com os meus 70 e poucos kgs com os quais eu já havia me acostumado. Até as roupas que eu tinha e usava com esse peso ainda cabiam em mim. Como assim eu tinha engordado tanto? Sai da consulta super atordoada e chorei no escurinho do meu quarto por duas noites seguidas tentando assimilar tudo porque eu não estava entendendo nada nem um pouco direito, sabe?!

Admito, eu não me alimentava bem. Tenho paladar infantilizado mesmo. Eu sou super hiper mega seletiva pra comer comida e amava comer besteiras – não dispensava ter pacotinhos de Fandangos e Cheetos no meu armário, bolacha Negresco, e latinhas de refrigerante no frigobar. Raramente dispensava pizza e batata-frita e quando a TPM atacava, sempre saía um prato de brigadeiro que durava uns 3 ou 4 dias dependendo da vontade. Mas continuei sem entender muito bem, porque eu sempre me alimentei assim e não passei a comer mais de tudo isso, não em termos de quantidade, e ainda sim engordei 15 kg em cerca de 3 a 4 meses? Pra emagrecer dois kg era preciso quase que passar fome, mas pra engordar…

E que cabeça era essa que quando emagrecia, não via que tinha emagrecido e que quando engordava, também não percebia isso? Me senti um alien dentro de mim mesma. E que roupas eram essas que eu usava e funcionavam como uma espécie de “jeans viajante” que cabe em qualquer corpo?

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A explicação é que desde Dezembro eu havia parado de usar calça jeans. Passei a usar somente leggings e a legging que cabe numa pessoa que veste 42 é a mesma legging que cabe em uma que veste 48, por exemplo. Os vestidos ficaram mais justos e mais curtos, mas eu não liguei muito. Arranjava uma desculpa e comprava vestidos um pouquinho mais largos. As saias eram todas cintura alta e bem rodadas; a minha cintura, mesmo estando gorda, era “pequena”, e tinha pano pra dar e vender pra cobrir os meus quadris e as coxas. As blusas eram, na maioria, batinhas.

No corpo, as estrias começaram a rasgar nos meus braços, dobrinhas nas costas que não existiam apareceram, mais estrias rasgaram na lateral da barriga, e eu, cega, continuava na saga da negação achando que tava tudo certo.

Pra tirar foto de corpo inteiro era um verdadeiro deus nos acuda. Se fosse foto em grupo, eu sempre tentava me esconder atrás de alguém. Sozinha, tinha sempre um truque pra disfarçar uma coisinha aqui e ali, além de uma edição cuidadosa. Foto espontânea tirada pelos outros? Nem morta! Aos poucos, aquilo ficou muito trabalhoso e eu fui me contentando só com as famigeradas selfies. Depois, nem isso. Detestava o que via no espelho e ainda tinha a cara de pau de negar.

Se eu continuasse assim, onde eu iria parar?

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Em determinada época, em 2015, eu decidi que queria me empoderar e acabar com esse martírio de me odiar por ser gorda e morrer tentando ser magra. Se eu continuasse, acabaria ficando louca, depressiva ou os dois. Ai comecei a não me desgostar tanto, o que também não significava necessariamente que eu me amava, mas pelo menos aquilo parecia ser um passo certo na direção certa. E quando alguém tentava dar a entender que eu “precisava me cuidar” ou perder peso, o meu lado ariano como Lua, Mercúrio e Sol em satanáries aparecia (tá, eu nem sei o que isso significa, mas parece bem relevante pra minha personalidade). Eu ficava louca e já tinha uma pedreira mental pronta pra tacar no sem noção que dissesse isso, porque eu sou bem passivo-agressivazinha que escuta calada e morre por dentro querendo matar alguém. Afinal, quem quer ficar ouvindo esse tipo de coisa? É um saco mesmo. Tem gente que realmente se preocupa com você e com a sua saúde, mas o que tem pra dar e vender de gente que fala só pra azucrinar, não tá no gibi, e a vontade de mandar ir pro raio que os parta é bem forte, eu sei.

Mas o meu empoderamento deu todo errado.

Porque eu não era empoderada.

Não estou dizendo que o empoderamento da mulher gorda não existe — estou falando especificamente sobre mim e como eu fiz isso errado e usei a ideia do empoderamento como ferramenta pra sustentar a minha negação e enterrar a minha cabeça debaixo da terra, porque eu nunca realmente me aceitei do jeito que eu era e continuava infeliz com o meu corpo, entende?

Eu chamava de empoderamento, dava close errado achando que era certo, e o pior de tudo, ainda fazia um desserviço pras manas que realmente são empoderadas e se amam com curvas, dobras e tudo a mais que elas têm direito a ser e ter.

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Mas tá, né? Ai, pra piorar tudo, eu passei a ter problemas ortopédicos nos dois joelhos, porque não basta ter o esquerdo operado (quando eu quase acabei com a minha patela em 2006), tem que romper os ligamentos do joelho direito e descobrir que a patela é rasa, e que tudo isso exigia uma perda de peso urgente.

Pra estar apto a fazer uma bariátrica, é preciso ter o IMC ≥ 40 (obesidade grau III, leia-se, obesidade mórbida) ou IMC ≥ 35 com comorbidades, tais como diabetes (ou pré-diabetes), doenças cardiovasculares, pressão alta, problemas articulares e/ou ortopédicos, etc. O médico fez o cálculo do meu IMC e deu 35,9 — obesidade grau II. Olha eeeeela se fazendo o requisito!

Mas não me comprometi a nada logo de cara porque eu não queria começar algo que eu não pudesse ou quisesse terminar. Peguei os valores, as informações de todos os médicos que eu precisaria passar e na semana seguinte, assisti logo as duas palestras informativas do pré-operatório, que são obrigatórias pra quem se opera pelo IVD. Tudo à nível de informação, sem compromisso.

As palestras foram com uma Nutricionista, uma Nutróloga, uma Endócrino e um Gastro. Quando eu sai de lá, na noite da segunda palestra, já tinha tomado decisão: eu iria fazer a cirurgia sim. Não tive o menor interesse em descobrir onde eu iria parar caso eu não tomasse uma atitude drástica. Eu já tinha tentado de tudo e nada funcionava a longo prazo, então me pareceu mais que sensato fazer isso por mim mesma.

O processo todo do pré-operatório envolveu inúmeras horas em salas de espera, inúmeras consultas e exames, muita boa vontade e paciência, que eu nem sempre tenho mas tive que arranjar. Nem sempre as pessoas conseguem terminar de fazer tudo num espaço de tempo “curto” porque cada um tem uma disponibilidade diferente. Como eu parei de trabalhar e resolvi tirar esse tempo ~livre~ pra me cuidar, consegui me operar no dia 3 de Agosto, completando exatamente 3 meses de pré-operatório.

No próximo post sobre a bariátrica, falarei com um pouco mais de calma sobre esse pré-operatório, os exames que eu fiz e os problemas de saúde que eu descobri, mas vou deixar a listinha de médicos com quem eu tive que passar pra pegar laudo: Psicóloga, Psiquiatra, Nutricionista, Endocrinologista, Angiologista, Pneumologista, Cardiologista, Fisioterapeuta e Anestesista, além do próprio Gastroenterologista. Ou seja, não basta só querer fazer a cirurgia, tem que provar por A + B que você realmente precisa da cirurgia.

E enquanto isso, vou ficando por aqui. O post foi só pra avisar que eu não estou emagrecendo por milagre não e que envolve muito esforço e força de vontade sim.

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Beijos de luz!

 

Drão, não pense na separação?

Se você não gosta de uma comida que provou, não é obrigado a terminar de comer. Se você vai ao cinema e se sente incomodado com o filme, tem total liberdade pra sair da sala e não voltar mais. Se está escutando música, mas encontra uma que é um porre, é só mudar de faixa. Experimentou uma roupa e não gostou? Não leva, troca, vende, doa, se livra.

Aos pouco a gente vai aprendendo o que se encaixa ao nosso gosto e se desprende daquilo que não nos interessa, né? Já aprendi a me desapegar de algumas “neuras” que parecem ter vindo incrustadas em mim, mas se tem uma coisa pra qual eu ainda não descobri como dar um BYE, FELICIA é a mania de se sentir culpada por desistir de um livro.

Como faz, Brasil, pra superar isso?

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Tem livro que começa ruim mas melhora, mediano mas melhora, livro que se arrasta mas melhora e livro que começa a ruim e ainda sim você consegue terminar de ler. Mas e aqueles que te irritam logo de cara, com a narrativa, com os diálogos, com os personagens, com a pieguice, com absolutamente tudo e qualquer coisa. E esses, como faz pra lidar? Tira férias, devolve o livro pra instante, pega outro no lugar e promete a si mesmo que um dia você volta pra terminar?

Detesto o sentimento de ~incompentência~ que vem por tabela, afinal de contas, é só um livro. Livro este, diga-se de passagem, que eu escolhi comprar. Não seria mais simples embalar as expectativas pra viagem e seguir em frente com a leitura? Sei lá.

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Por sorte, isso não acontece com frequência, mas quando ocorre, é sempre o mesmo mimimi e eu nunca sei como resolver direito. Passo semanas dormindo com o livro ao lado da cama, pra ver se bate aquela vontadezinha de saber como tudo termina, mas isso raramente acontece e é um porre porque atrapalha a rotina de leitura, que geralmente é rápida, e ainda me rouba a oportunidade de estar lendo um livro melhor e mais interessante. Um saco, de verdade.

Não aprendi a dizer adeus, mas tenho que aceitar… já dizia Leonardo, não é mesmo? Miga, sua louca, aceita que dói menos. Drão, não pense na separação, vai e acaba com esse dramalhão.

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E você, também passa por isso? Se sente desnecessariamente culpado por querer se livrar de algo que não é exatamente do seu interesse? Se sim, me conte tudo, não me esconda nada. Não me deixe só na minha loucura.

{Resenha} Por Lugares Incríveis

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Muito maior do que a ideia de que opostos se atraem é a premissa de que espíritos afins se atraem. Alguns chamam de coincidência, outros de destino; força cósmica ou não, é impossível não achar que há algo em comum além da situação em que conhecemos Violet Markey e Theodore Finch.

Fruto de uma relação estável e um lar com pais amorosos e compreensivos, considerável popularidade na escola, boas notas, e um namorado que muitas garotas cobiçam, Violet Markey é uma garota de 17 anos que aparenta ter uma vida quase perfeita. Quase, se não fosse pelo peso que Violet carrega no peito: a terrível sensação de ter sido responsável pela morte de sua melhor amiga, a sua irmã mais velha, Eleanor.

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Do outro lado, um garoto de 18 anos cujo comportamento instável, errático, ansioso e com mil facetas (estas criadas por ele mesmo) faz com que ele receba o apelido de “aberração” no colégio. Theodore Finch, ou apenas Finch, nutre uma certa obsessão com a morte e as diversas maneiras que ele poderia acabar com a própria vida e é essa obsessão que o leva a subir na torre de sino da escola numa determinada manhã. Lá, coincidência de todas as coincidências (ou não), ele encontra Violet no parapeito, à beira do suicídio, e a salva de cometer aquele ato.

É assim que começamos a história de Por Lugares Incríveis – com um início agridoce de desfecho mais ou menos feliz.

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Em seguida, o acontecimento vira motivo de burburinho nos corredores do colégio. Como os boatos voam feito plumas ao vento, a notícia do resgate se inverte e pra não arruinar a reputação de Violet, Finch simplesmente aceita que todos acreditem que quem precisava de salvação de si mesmo naquele dia era ele, não ela (curiosamente, no desenrolar da trama, acabamos descobrindo que essa é, de fato, a verdade sobre Finch).

Com mais um empurrãozinho do Universo a favor dessa amizade improvável, eis que a semente entre eles é plantada através de um projeto de Geografia que precisa ser feito em dupla e que requer escolher dois locais interessantes do estado de Indiana para conhecer. Assim, vemos o desenrolar da história desses dois que, ao invés de somente sobreviver, encontram um no outro a esperança de que há algo pelo qual vale a pena viver.

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A narrativa, que alterna entre capítulos ora contados por Violet e outros Finch, é fluida, sincera, melancólica, emocionante e cativante. Impossível não se deixar encantar pelos personagens cujos medos, angústias, alegrias, ânsias são colocados de modo tão honesto e de forma tão singela por Jennifer Niven,

Há quem diga que este livro seja uma versão alternativa de A Culpa é Nas Estrelas, só que abordando temáticas mais delicadas como depressão, bipolaridade e suicídio. Bom, se isso traduz na forma de mais amor, respeito e empatia pelas pessoas que sofrem transtornos psicológicos – doenças de sintomas tão silenciosos mas igualmente devastadores quanto qualquer outra enfermidade – então que a comparação seja válida.

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Estamos em tempos onde é preciso cada vez mais desmitificar a ideia de que a depressão não é doença ou que não é tão fatal quanto outra qualquer; de esclarecer sem romantizar a angústia ou o suicídio, e Por Lugares Incríveis cumpre essa missão trazendo um pouco mais de entendimento sobre as dores da alma com um desfecho, é claro, de emocionar.

Esse livro lindo cujo título original se chama All The Bright Places foi publicado no Brasil pela editora Seguinte, e traz nas cores e ilustração da capa muito simbolismo contido dentro da própria história.

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Nas notas do autora, no final do livro, Jennifer Niven explica a sua motivação de ter escrito Por Lugares Incríveis. Uma nota tão sensível e delicada quanto sua própria história.

Ficha Técnica:

Título Original: All The Bright Places| Autor (a): Jennifer Niven | Tradução: Alessandra Esteche |Editora: Seguinte | Edição: 2015 | Número de Páginas: 392

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Classificação: 05/05

{TAG} Inês Brasil

Oi, gente! Tudo bem com vocês?

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O post de hoje é o post inaugural de uma tag literária chamada TAG Inês Brasil criada por mim e pela Camila Henriques do Caleidoscópio Sem Lógica. Nós duas adoramos e usamos bastante os bordões da Inês Brasil e achamos que seria super divertido criar uma tag baseada em alguns dos mais conhecidos. Confiram os 10 itens da tag:

1. Um livro no qual você tentou segurar a marimba ao ler (mas não conseguiu).
2. Um livro que você leria até em alemão.
3. Um livro lindo igual a uma barbiezinha.
4. Um livro que você nem entendeu um pouco direito.
5. Um protagonista literário pra quem você falaria, “Bata na sua cara antes que eu bata.”
6. Um livro que te fez pensar, “Monique, eu vou passar mal!”
7. Um livro que te deixou seca.
8. Um livro que fez um jogo com você.
9. Um livro que se tiver sequência, você vai dizer, “Me chama que eu vou!”
10. Um livro que “Posso falar, não vou mentir, a-do-ro!”

Quem quiser utilizar a tag, é só dar os devidos créditos a mim e a Camila Henriques, porque merchan legal é bom e a gente gosta.

Aproveitei e já respondi a tag no novo vídeo do canal. Vem conferir as minhas respostas clicando no video abaixo (mas por favor, vocês têm que vir com amor).

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imagens via @paynezinhas 

{Resenha} Onde Cantam os Pássaros

Se você cometesse um erro tão grande no passado que alterasse completamente o rumo da sua vida, como isso influenciaria e informaria as suas escolhas e o modo com o qual você interage com outros seres humanos?

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No primeiro capítulo de “Onde Cantam os Pássaros,” de Evie Wyld, nos deparamos com Jake Whyte — uma Australiana jovem porém reclusa, que escolheu viver em uma velha fazenda em uma ilha na costa da Grã-Bretanha cujo nome não é citado, em companhia de “Cão,” o seu cachorro de estimação, se depara com os restos mortais de uma de suas ovelhas, que morrera durante a noite de forma extremamente violenta. Logo em seguida, ela recebe a visita do vizinho e antigo dono da fazenda onde vive, Don, que aparece para averiguar o ocorrido. Durante a visita, Don tece comentários que ajudam a perceber que há algo no passado dessa mulher alta e forte, com uma história de vida tumultuosa e costas cheias de cicatrizes que, de algum modo, informa o presente dela: o desleixo na sua aparência, o desinteresse nas coisas que podem lhe dar prazer, a relutância em criar qualquer tipo de vínculo com outros moradores da região e a insistência em permanecer somente na companhia de seus animais.

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Como se não bastasse a ameaça que paira sobre a vida do rebanho de suas ovelhas (que Jake acredita ser causada por jovens adolescentes), o suspense psicológico se faz presente através de outros fenômenos que começam a ocorrer: barulhos estranhos dentro e nos arredores da casa de Jake, a sensação de estar sendo observada, além de rumores sobre uma criatura grande e veloz que não parece ser do mesmo porte que os animais encontrados nas redondezas.

Uma certa noite, Jake se depara com um homem bêbado dentro de seu galpão à procura de um lugar pra dormir. Ela consente que ele fique ali temporariamente, mas após diversas circunstâncias, a presença de Lloyd se torna permanente e junto com ele, vamos nos aprofundando pouco a pouco no universo misterioso de Jake Whyte.

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Considerações

Enquanto a história narrada nos capítulos ímpares, situada no presente, progride cronologicamente, seguindo o acontecimento da morte das ovelha, a narração dos capítulos pares se dá em forma de flashback, retrocedendo na vida de Jake capítulo por capítulo, pontuando acontecimentos do seu passado até chegar ao início da adolescência da personagem.

Essa é uma combinação que eu ainda não tinha visto em qualquer outro livro e que torna as coisas mais interessantes, mas vale ressaltar que esses saltos na narrativa não são explicitamente especificados no início de cada capítulo, o que pode causar um pouco de confusão durante a leitura.

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Confesso que tive alguns problemas com a prosa do livro e demorei mais tempo que o normal pra conseguir terminá-lo. Outra ponto é a caracterização de Jake: é preciso fazer uma longa jornada até que os acontecimentos do passado dela comecem a justificar de forma mais clara a pessoa que conhecemos no presente, o que pode causar a impressão de que a personagem seja rasa quando a verdade é exatamente o oposto, e a responsabilidade de chegar ao fundo da questão acaba sendo do leitor. Eu consegui encontrar momentos interessantes o suficiente pra me levar até o final, que compensaram pelas horas que tive vontade de fechar o livro e não ler mais, mas entendo quem queira desistir no meio do caminho.

Alguns mistérios da história estão mergulhados em ambiguidade, incluindo o final e isso pode ou não ser um fato negativo, dependendo do ponto de vista de quem lê. No meu caso, deu vontade de ler o livro novamente pra ver com qual perspectiva eu enxergaria os acontecimentos, então pra mim isso é um ponto positivo.

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Sobre a edição do livro

Tenho um segredo pra contar: nutro o péssimo hábito de julgar livros pelas capas. Sim, é verdade, eu faço isso. Poucas coisas enchem tanto os meus olhos como uma edição linda de um livro, com diagramação bonita e uma capa digna. Livros publicados em edições com capas ~mais ou menos~ ou duvidosas, eu normalmente deixo pra ler no Kindle.

Eu não havia ouvido falar do livro e não tinha lido resenhas sobre ele, mas quando bati o meu olho nessa edição, que é a primeira de Onde Cantam os Pássaros, publicada pela DarkSide Books, senti como se tivesse ouvido um coral de anjos cantando. Eita coisa linda!

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A capa parece uma colagem com imagens sobrepostas ao fundo rosa choque e o material que envolve a capa dura parece um pouquinho com camurça, pois é bem macio. A borda das folhas são pintadas de preto, o que cria a ilusão de que as próprias páginas sejam pretas. A diagramação e acabamento por dentro também não deixam a desejar.

Fico feliz ao perceber o cuidado e esmero que algumas editoras brasileiras como a Darkside têm ao criar edições dignas de colecionadores, deixando as edições gringas no chinelo.

Ficha Técnica

Título Original: All the Birds, Singing | Autor (a): Evie Wyld | Tradução: Leandro Durazzo | Editora: Darkside Books | Edição: 2015 | Número de Páginas: 240

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Classificação: 03/05

{Music Rec}The Bird and The Bee

Alô, alô, gente! Tudo bem?

Hoje vim mostrar pra vocês um duo que eu descobri recentemente numa playlist aleatória do Spotify chamada The Bird and The Bee. Já ouviu falar? Bom, se assim como eu, você nunca tinha escutado nada sobre eles, então vem comigo!

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Esse duo indie pop americano formado pela Inara George, também conhecida como the bird e o Greg Kurstin, the bee, surgiu enquanto eles produziam o álbum de estreia da Inara. Dai, veio o lançamento do primeiro EP deles em 2006, chamado Again and Again and Again and Again, seguido do seu primeiro álbum no ano seguinte, que levou o nome da dupla, The Bird and The Bee.

Quem é fã de Grey’s Anatomy possivelmente já escutou dois de seus antigos sucessos na trilha da série: “Again and Again” e “Polite Dance Song.” Já “All Our Endless Love“, feita em colaboração com o Matt Berninger, vocalista de The National (), faz parte da trilha do filme Amor Sem Fim (Endless Love), lançado em 2014 no Brasil.

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Como mencionei anteriormente, eu não conhecia absolutamente nada deles. Esbarrei em uma canção por sorte há umas duas semanas, mas confesso que só hoje tive curiosidade de parar pra procurar os álbuns e escutar tudinho na íntegra. Pra minha agradável surpresa, cai de amorzinho.

Se eu pudesse ter uma trilha-sonora tocando permanentemente enquanto a vida acontece, eu definitivamente colocaria The Bird and The Bee na minha. A combinação da voz suave da Inara e a batida eletropop com influências de jazz e bossa-nova criadas pelo Greg Kurstin são uma receita incrível para o sucesso. Algumas músicas têm uma pegada old school que é irresistível e que dá uma vontade enoooorme de levantar e sair dançando por ai.

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E depois de passar a noite escutando tudo e ficar com essa sensação de quero mais, achei que deveria vir compartilhar com vocês. Coisa boa a gente tem mais é que dividir, não? Pra dar o pontapé no futuro relacionamento amoroso entre vocês e essa dupla sensacional, estou deixando por aqui o link da playlist no Spotify, preparada por mim, contendo 12 músicas tiradas dos quatro álbuns deles. Espero que  gostem tanto quanto eu.

{TAG} Disney

Tem gente que diz que milagre não acontece, mas postar duas vezes num espaço de menos de 72 horas aqui no blog, ainda por cima trazendo vídeo, equivale a um semi-milagre e é algo bem extraordinário SIM (não deveria ser, mas shiiiiiiiu, let’s not even go there).

Acontece é que ontem à noite eu gravei esse vídeo e logo em seguida eu descobri que I HAVE NO CHILLS porque o faniquito bateu forte pra querer subir o bichinho pro youtube o mais rápido possível. Dai deu nisso. Então hoje teremos:

TAG DISNEEEEEEEEEEY!

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Uma tag muito apropriada pra quem é Disnéfila/doida da Disney/ Disneymaníaca/ Disney fanatic. Dá o play pra conferir, deixa as suas impressões nos comentários, clica no subscribe pra continuar acompanhando “dipertin” o canal e vem me amar.